Professores da Ufop que sofriam homofobia no trabalho farão home office

A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reconheceu o direito de dois professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFPO) de exercerem suas atividades por meio do teletrabalho, após comprovação de discriminação e assédio moral no ambiente de trabalho.

Para o colegiado, ficou comprovado o estado mental debilitado dos autores devido ao trabalho presencial.

O processo indicou que as agressões psicológicas enfrentadas pelos docentes resultaram no desenvolvimento, e posterior agravamento, de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade. Eles alegaram ter sofrido perseguição política, difamação e homofobia.

Ao julgar o caso, o relator, juiz Federal convocado Alysson Maia Fontenele, esclareceu que o teletrabalho não é um direito subjetivo do servidor, e, portanto, o Judiciário não pode impor à Administração Pública a concessão desse regime, sob risco de interferir em sua competência.

No entanto, o magistrado afirmou que, em determinadas situações, a intervenção do Judiciário se justifica para garantir a proteção de princípios constitucionais, como o da dignidade da pessoa humana e o do combate à discriminação.

Com base nesses princípios, o relator observou os laudos periciais do estado mental dos professores.

“A prova documental colacionada aos autos evidencia a discriminação e o abuso moral sofridos pelos agravados no exercício da função, situação que gerou o surgimento e, posteriormente, o agravamento de sintomas psiquiátricos, como de pressão e ansiedade”.

Mediante as provas, o magistrado ressaltou a necessidade de impôr o modelo home office aos professores autores.

“O arcabouço probatório impõe a intervenção do Poder Judiciário na concessão do regime de trabalho não presencial e, em consequência, o deferimento do regime de teletrabalho aos agravados, de modo a proteger direitos e princípios constitucionais que estão sendo violados cotidianamente no ambiente de trabalho, a fim de que seja preservada a dignidade da pessoa humana”.

O colegiado, de forma unânime, acompanhou o voto do relator.

 

Fonte: Migalhas

Imagem: Canva

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